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Linguagem: quando é preciso consultar um fonoaudiólogo?

Especialistas explicam quais sinais indicam atrasos na fala A maior parte das crianças começa a falar por volta dos 12 meses....

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Saiba quais são as principais causas e como curar o Zumbido no Ouvido


O zumbido no ouvido, também conhecido por tinnitus, normalmente não é grave e surge em caso de resfriado ou após exposição prolongada a barulhos muito intensos, desaparecendo sem tratamento específico ao final de algumas horas.
Este problema, que se caracteriza pela sensação de ouvir qualquer tipo de som mesmo estando em ambiente silencioso pode afetar apenas um ou os dois ao mesmo tempo e, na maioria dos casos, o zumbido no ouvido tem cura.
O zumbido também pode ser causado por infeções ou tumores auditivos e, por isso, caso este sintoma não passe ao final de 2 dias ou apareça mais de 1 vez por mês é importante ir ao otorrinolaringologista para fazer o diagnóstico e realizar tratamento adequado, caso seja necessário.

Causas de zumbido no ouvido

O zumbido no ouvido normalmente é causada pela exposição prolongada ao barulho ou quando se tem uma otite, que é a infecção no ouvido. No entanto, o zumbido também pode surgir em situações, como:
  • Perda auditiva causada pelo envelhecimento que é mais comum a partir do 60 anos;
  • Otosclerose, que ocorre quando há endurecimento dos ossos do ouvido;
  • Tumor no cérebro e que afeta o nervo auditivo ou tumor no ouvido;
  • Excesso de cera no ouvido;
  • Problemas de circulação;
  • Distúrbios psiquiátricos, como ansiedade e depressão;
  • Acúmulo de colesterol nos vasos sanguíneos;
  • Pressão alta.
Além destas causas, o zumbido no ouvido também pode surgir em casos mais raros, como Doença de Ménière, mau funcionamento da articulação da mandíbula ou após traumatismos na cabeça e do pescoço, que pode afetar os nervos responsáveis pela audição.

Remédios que causam zumbido no ouvido

O zumbido no ouvido pode surgir como efeito colateral de alguns medicamentos, como:
  • Aspirina em doses muito elevadas;
  • Antibióticos como polimixina B, eritromicina, neomicina e vancomicina;
  • Remédios para combater o câncer como mecloretamina e vincristina;
  • Diuréticos como bumetanida, ácido etacrínico ou furosemida.
  • Antidepressivos como Fluoxetina ou Sertralina.
Geralmente, quanto maior a dose destes medicamentos, maior é o zumbido e, na maioria dos casos, o ruído desaparece ao deixar de usar estes remédios.

Sintomas de zumbido no ouvido

Os principais sintomas do zumbido no ouvido incluem:
  • Som de um apito;
  • Barulho semelhante ao de uma cachoeira ou a uma cigarra;
  • Chiado constante;
  • Sensação de ouvido tapado.
Esse som só é percebido pelo indivíduo e não pode ser medido, podendo ser contínuo ou com intervalos e tende a piorar em caso de ansiedade ou estresse. Além disso, o zumbido pode surgir associado a tontura e falta de equilíbrio.
O diagnóstico do zumbido no ouvido é feito através da observação interna dos ouvidos pelo otorrinolaringologista. Além disso, pode ser necessário realizar exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, sendo que este problema é mais frequente em idosos, pacientes com problemas na circulação ou fumantes.

Tratamento para zumbido no ouvido

Para tratar o zumbido no ouvido é necessário conhecer a causa do zumbido, podendo incluir a remoção de cera pelo médico, a toma de remédios como antibióticos para tratar a infeção, o uso de aparelho auditivo ou realizar uma cirurgia ao ouvido, por exemplo. Também pode ser necessário realizar acupuntura ou musicoterapia para ajudar a diminuir a sensação de zumbido.
Além disso, no caso de se sentir zumbido no ouvido depois do show devido à altura exagerada do sistema de som do local, deve-se ficar num ambiente silencioso pois, ajuda o corpo a se habituar e, em pouco tempo, ele tende a desaparecer.

Fonte: Site Tua Saúde

A música e o bebê: desenvolvimento da cognição e da linguagem oral


A música, muitas vezes, é encarada apenas como arte ou entretenimento, mas ela pode ser muito mais do que isso.
Diversos estudos mostram que a música estimula todo o cérebro, por isso, o contato precoce com ela e sua vivência podem contribuir para a formação cerebral e desenvolvimento cognitivo desde a tenra idade ou indo além, desde a vida intrauterina.
Um estudo* buscou investigar a influência da música no desenvolvimento cognitivo e na linguagem de bebês de zero a dois anos de idade dentro de um ambiente propício de educação musical.
Foram trabalhados com o público-alvo atividades tais como: pulsação, respiração, corpo e movimento, altura, timbre, duração, intensidade do som, altura (grave/agudo) entre outras.
Concluiu-se ao final da pesquisa que a expressão natural do bebê se manifesta antes da fala dentro de um ambiente musical oportunizando o desenvolvimento das habilidades psicomotoras, do aprendizado de ritmo e melodia e processos cognitivos e de aquisição da linguagem oral.

CONTRIBUIÇÃO QUE A MUSICA TROUXE PARA OS BEBÊS:                                  
    >    100% contribuiu com a linguagem;
    >    83,3%, com o desenvolvimento motor;
    >    75%, com o desenvolvimento psicológico;
    >    41,7%, com o musical;
    >    33,3%, com o social.

*SILVA, L. B. M. Música: um estímulo à expressão cognitiva e à linguagem dos bebês. 2015. 164 f. Dissertação (Mestrado em Música) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2015.


Alguns prejuízos do uso da chupeta no desenvolvimento dos bebês


Não faz muito tempo que a chupeta era usada praticamente sem restrições para acalmar as crianças pequenas e fazer com que parassem de chorar. Agora sabemos que não é bem assim. Chupeta causa dependência e faz com que o instinto básico de sucção no peito não seja plenamente suprido, assim como as necessidades afetivas do bebê, já que o motivo real do choro silenciado fica sem resposta.
Muitos pais ainda insistem neste método, mesmo com entendimento de que pode ser prejudicial, por ser mais prático. Outros pais não possuem a informação adequada das reais consequências do uso contínuo da chupeta. Desta forma vou tentar explicar alguns problemas que a chupeta pode causar:

Amamentação

O avanço de pesquisas científicas comprovam que as crianças que param de mamar antes usam chupeta com mais frequência do que aquelas que são amamentadas por um período maior de tempo, sugerindo uma relação entre esses dois fatos. Além disso, a sucção feita em um bico artificial leva à perda da tonicidade e a alteração dos músculos da face (principalmente dos lábios e da língua), o que acaba confundindo a criança e a leva a não ser mais capaz de mamar o peito da mãe da maneira correta.
Muitas evidências apontam que o uso de chupeta diminui a produção de leite da mãe, uma vez que o bebê procura menos pelo peito. Esse fato pode até mesmo interferir no ganho de peso da criança.
A Unicef e o Ministério da Sáude orientam aos pais não oferecer bicos artificiais ou chupetas as crianças para não prejudicar o sucesso do Aleitamento Materno.

Deformação


O costume de chupar chupeta acaba causando deformações no desenvolvimento das estruturas da boca e do rosto, intimamente ligadas ao esforço repetitivo e artificial imposto pela chupeta. O lábio superior da criança pode ficar encurtado, enquanto o lábio inferior pode se tornar flácido e virado para fora. Outras modificações como a pele do queixo mais enrugada ou a língua menos tonificada alteram a fisiologia da região da mandíbula.
Os ossos da face crescem de forma desarmônica, enquanto as arcadas e os ossos nasais sofrem estreitamento e desvios (como o desvio de septo). Por consequência, acaba prejudicando também as funções de deglutição, mastigação, fala e respiração, tornando-se um obstáculo mecânico à cura de uma série de patologias, especialmente as ‘ites’: rinite, sinusite, amidalite, bronquite, etc.
A mandíbula também é afetada, pois se mantém na posição do nascimento, ou seja, o queixo não cresce, prejudicando a estética e a fisiologia. Segundo pesquisa brasileira de 2006, as crianças com hábitos de chupar chupeta ainda apresentam 12 vezes mais chances de desenvolver problemas de mordida do que crianças sem esse hábito. E mais de 70% dos bebês acostumados com a chupeta apresentam algum tipo de problema de mordida, como mordida cruzada, profunda, etc.

Dedo

Afirmar que para o neném é melhor usar chupeta ao invés dos dedos é um consenso equivocado. Apenas 10% das crianças chupam o dedo prolongadamente, enquanto entre 60 e 82% chupam chupeta e 4,1% associam os dois hábitos. Não que os 10% estejam certos, mas o que surpreende aqui é que uma significativa maioria dos pais acha que está fazendo a coisa certa nessa substituição – mas não está.
Os danos causados pela sucção prolongada do dedo ou da chupeta são bem semelhantes. O dedo, no entanto, ainda sai na frente porque se assemelha mais ao peito, tem calor, odor e consistência mais parecidos com o do mamilo e fica praticamente na mesma posição do bico do peito dentro da cavidade bucal do bebê.
Chupar o dedo desde a barriga é um hábito comum dos bebês durante seu desenvolvimento. Especialmente nos períodos de desconforto e irritação provocados pelo nascimento dos dentes. Nessa fase é interessante proporcionar variedade de estímulos, como alimentos de consistência dura, mordedores, além de brincadeiras diversas, atenção e carinho, a fim de que o hábito cesse espontaneamente. A persistência do hábito de chupar o dedo, porém, não é frequente em crianças bem amamentadas: mais de 80% das crianças que recebem aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida não apresentam esses hábitos, acrescenta a dentista.

Respiração

Desde cedo aprendemos que devemos respirar sempre pelo nariz, onde o ar é devidamente filtrado e entra em nosso organismo de maneira correta. O costume de se chupar chupeta, contudo, favorece a respiração errada, pela boca. E isso acaba ocasionando diversos problemas mais para frente na vida da criança.
Uma vez que o ar inspirado não passa pelo processo de filtragem (aquecimento e umedecimento ao qual é submetido se inspirado pelo nariz) o sistema respiratório acaba se tornando mais suscetível a doenças em geral. A respiração bucal também ocasiona alterações físicas, problemas nutricionais e de crescimento, alterações fonoaudiológicas e do sono, como ronco, apnéia, pesadelos, terror noturno, enurese noturna (o famoso “xixi na cama”) e bruxismo, além de problemas na arcada dentária (principalmente no encaixe da mordidas), desvios ortopédicos e posturais.
Problemas comportamentais e emocionais, como problemas de aprendizado, distúrbios de ansiedade, impulsividade, fobias, agitação, cansaço, hiperatividade e baixa autoestima também podem ser desenvolvidos pela criança acostumada à chupeta devido à má respiração.

Mudança de hábito


Se o seu bebê já é acostumado com a chupeta é conveniente buscar ajuda profissional de um fonoaudiólogo. A remoção repentina ou abrupta da chupeta pode gerar efeitos psicológicos complexos e difíceis de mensurar, e pode levar à substituição por hábitos de sucção do dedo, do lábio ou da língua, de roer unhas, entre outros. No decorrer da vida, os hábitos podem ser substituídos por comer demais, fumar ou outros transtornos compulsivos. E seu efeitos são observados desde cedo.
Como citado no início desta postagem, os assuntos aqui abordados são apenas as características mais marcantes e principais consequências do uso prolongado da chupeta em bebês e crianças. No entanto, há muito mais, desde o prejuízo à correta maturação funcional do sistema que engloba as estruturas bucais ligadas à mandíbula, passando pelo refluxo do conteúdo alimentar presente no estômago para o esôfago. Existem também preocupações relativas às chupetas em si, como a inexistência, no mercado, de bicos anatomicamente comparáveis ao bico do peito.

Como orientar os alunos com dificuldades na leitura


A dificuldade em realizar a leitura é tida como um dos maiores obstáculos enfrentados pelos alunos. Preocupados com essa questão, vários educadores estão em busca de o melhor caminho a seguir, contribuindo para um melhor desenvolvimento da leitura.
Segundo pesquisas, as escolas estaduais apresentam maior índice em relação à dificuldade com a leitura, porém, vale ressaltar que acontece em todas as instituições de ensino independente do segmento (público ou particular).
É de suma importância para lidar com esta situação, enquanto educadores, ter a consciência de que as dificuldades apresentadas na leitura estão intensamente ligadas ao desenvolvimento das habilidades na escrita provenientes de alterações ou erros de sintaxe, estruturação, organização de parágrafos, pontuação, bem como todos os elementos necessários para a composição do texto.
Partindo desse pressuposto, segue algumas sugestões de estratégias a serem aplicadas de forma que venha facilitar o desempenho no processo de leitura que os alunos apresentam em sala de aula:
  • Procure fazer um momento de divisão para leitura, sendo que durante a aula metade do tempo seja dedicado à leitura prazerosa, onde cada um lê o que é de seu interesse, e a outra parte seja voltada para a prática da leitura voltada para o desenvolvimento de conteúdos;
  • A escola pode promover campanhas de incentivo à leitura, estimulando os alunos a lerem. Por exemplo: gibis como forma de leitura e entretenimento;
  • Trabalhar na análise e decomposição de frases escolhendo palavras segmentando-as em sílabas e fonemas, intervindo na memória, passando de memorização à memória de longo prazo. Vale ressaltar que não deve ser realizada de forma mecânica ou descontextualizada, por exemplo, f e v são vagos quando isolados, mas quando proposto em palavras (faca ou vaca) já permitem um maior entendimento, o que facilita a aprendizagem;
Segundo Duke e Pearson (2002) existem seis tipos de estratégias de leitura consideradas relevantes, baseadas em pesquisas tidas como auxiliares no processo de leitura. São as seguintes:
  • Predição: trata-se de antecipar, prever fatos ou conteúdos do texto, utilizando o conhecimento existente para facilitar a compreensão.
  • Pensar em voz alta: o leitor verbaliza seu pensamento enquanto lê.
  • Estrutura do texto: analisar a estrutura do texto, auxiliando os alunos a aprenderem a usar as características dos textos, como cenário, problema, meta, ação, resultados, resolução e tema, como um procedimento auxiliar para compreensão e recordação do conteúdo lido.
  • Representação visual do texto: auxilia leitores a entenderem, organizarem e lembrarem algumas das muitas palavras lidas quando formam uma imagem mental do conteúdo.
  • Resumo: tal atividade facilita a compreensão global do texto, pois implica na seleção e destaque das informações mais relevantes contidas no texto.
  • Questionamento: auxilia no entendimento do conteúdo da leitura, uma vez que permite ao leitor refletir sobre o mesmo. Pesquisas indicam também que a compreensão global da leitura é melhor quando alunos aprendem a elaborar questões sobre o texto.
Vale ressaltar que, tanto no desenvolvimento da leitura quanto da escrita, pais e professores são mediadores indispensáveis no processo de aprendizagem, prevenindo e intermediando através da correção quando necessária e com cautela.


Consciência Fonológica: contribuições para o aprendizado da leitura e escrita


Ao ingressar na escola, as crianças de forma geral, já apresentam uma certa competência no uso comunicativo da linguagem oral, apresentando um sistema fonológico adequado, um inventário fonético completo e bom desempenho sintático, semântico e pragmático, que lhes possibilita uma comunicação efetiva. Entretanto, ao entrar em contato com o código escrito, através da relação grafema-fonema, ou seja, precisa entender a relação arbitrária que se estabelece entre os sons que fala e a grafia que os representa. Isto requer uma certa capacidade de refletir sobre a linguagem, mais especificamente sobre os sons da fala.
Alguns autores definem o desenvolvimento da linguagem escrita como uma extensão do desenvolvimento da linguagem oral, uma vez que o alfabeto é uma representação gráfica da linguagem no nível de fonema.
Para que essa representação aconteça, é preciso que o aprendiz do código escrito já possa, de alguma forma e em algum nível, objetivar a palavra ou o enunciado, direcionar a atenção para sua estrutura, perceber seus segmentos (maiores ou menores) e manipulá-los de diferentes formas. Essa capacidade de percepção dirigida aos segmentos da palavra chama-se consciência fonológica, a qual é uma capacidade metalinguística, um conhecimento metafonológico, que se apresenta por meio da possibilidade de se focalizar a atenção sobre os segmentos sonoros da fala e identificá-los ou manipulá-los.
De uma atividade inconsciente e desprovida de intenção, essa capacidade evolui para reflexão intencional e atenção dirigida. A intencionalidade é sua característica principal. Essa capacidade também evolui da identificação de rimas e silabas para a possibilidade da identificação de elementos discretos (fonemas) que existem na fala, em um nível abstrato (consciência da natureza psicologicamente segmentada da fala).
Definição e formas de manifestação
A consciência metalinguística é definida como sendo as reflexões conscientes do falante e do ouvinte sobre alguns aspectos primários das atividades linguísticas como o falar e o ouvir.
Consciência fonológica é um subtipo da consciência metalinguística, esta é definida como capacidade de compreender a maneira pela qual a linguagem oral pode ser dividida em componentes cada vez menores: sentenças em palavras, palavras em silabas e silabas em fonemas. A capacidade de refletir sobre os sons da língua e manipulá-los requer habilidades como adição e deleção de sons, segmentação, discriminação de sons específicos em uma mesma palavra, apreciação de rimas, reversão silábica, memorização e sequencialização de sons além da correlação da imagem articulatória do som e de sua respectiva produção.
Assim sendo, quando se estuda o desenvolvimento da linguagem, é fácil perceber que, quando a criança começa o aprendizado formal do código escrito, já deve ter finalizado há algum tempo o desenvolvimento fonológico da linguagem oral, além de já usar corretamente as regras gramaticais da língua.
Desde os quatro anos de idade, a partir da estruturação de seu sistema fonológico e da possibilidade de produzir corretamente todos os sons da fala, a criança já demonstra eficiência na realização de algumas tarefas, as quais evidenciam sua capacidade, seja de reflexão sobre um enunciado, seja de manipulação da sua estrutura (silabas, rimas, palavras).
Essa capacidade metalinguística de realizar diferentes tarefas de segmentação da fala, quando associada ao conhecimento do alfabeto, pode possibilitar o aprendizado do domínio do código da escrita. Portanto, antes dos seis anos de idade, as crianças já apresentam bom desempenho em análise silábica (mas são praticamente incapazes de contar os fonemas de qualquer palavra).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Gagueira e disfluência comum na infância


Entre todos os problemas importantes que preocupam os pais de crianças que na faixa etária dos três anos começam a apresentar problemas de fluência, um dos que mais causam dúvidas, desconforto e, por muitas vezes, desorientação, é a definição dessa disfluência: se ela faz parte do processo de aquisição de linguagem da criança, ou se ela de fato representa o que os especialistas chamam gagueira do desenvolvimento, que “surge antes da puberdade, geralmente entre dois e cinco anos de idade, sem dano cerebral aparente ou outra causa conhecida”, de acordo com o site do Instituto Brasileiro de Fluência – IBF.
Felizmente, já é possível diferenciar melhor estes dois quadros, e uma síntese desta possibilidade é exposta com clareza no presente artigo das fonoaudiólogas Suzana Maria de Amarante Merçon e Kátia Nemr.
As autoras iniciam o texto afirmando que a disfluência é um fenômeno comum na fase em que as crianças estão estruturando sua linguagem. Mas, em alguns casos, essa disfluência pode sinalizar o início do processo de gagueira, por isso é importante que os pais de crianças que apresentam alguma disfluência procurem um fonoaudiólogo especializado. Esse profissional, na atualidade, conta com uma série de descobertas que delimitam a gagueira como um problema que afeta áreas do cérebro responsáveis pela linguagem, além de interferir no controle motor da fala. Tais descobertas eliminaram a possibilidade de se supor que a gagueira do desenvolvimento é provocada por algum acontecimento ou trauma do mundo exterior. Ou seja, muito embora o fato de encontrar-se em situações acolhedoras pode ajudar a criança que gagueja, apenas isso não é suficiente para que ela deixe de gaguejar.
Além de definir o cérebro como um local importante de origem e manifestação dos processos que envolvem a gagueira, as recentes pesquisas têm delimitado algumas diferenciações entre, de um lado, as disfluências que são manifestações infantis naturais ao período de estruturação linguística, e, de outro lado, as disfluências que são sinais efetivos de gagueira. Vejamos algumas dessas diferenciações, de acordo com os critérios usados pelas autoras:
1) Frequência: as ocorrências de disfluências na gagueira do desenvolvimento são mais frequentes do que as disfluências comuns da infância, que têm, em geral, caráter esporádico.
2) Evolução: as ocorrências de gagueira podem desaparecer (remissão espontânea) ou agravar-se com o tempo. É possível ainda haver um cessamento temporário das ocorrências, com retorno posterior, dando ao quadro um caráter intermitente. As disfluências comuns da infância tendem a amenizar e desaparecer.
3) Linguagem: há uma diferença muito importante, em termos de linguagem, entre a gagueira do desenvolvimento e a disfluência comum na infância: as crianças que tendem a desenvolver gagueira apresentam problemas para emitir fonemas (o que normalmente as pessoas chamam “letras”) e sílabas, em particular nos primeiros fonemas das sílabas ou nas primeiras sílabas das palavras, ao passo que as crianças que disfluem sem gaguejar, quando manifestam problemas, o fazem em palavras inteiras, partes de frases ou frases inteiras.
4) Tipos de disfluência: a gagueira do desenvolvimento abarca alguns tipos de disfluências específicas: repetições de fonemas e sílabas; repetições de partes de palavras; prolongamentos de fonemas, bloqueios e pausas preenchidas (interrupções na fala nas quais a pessoa insere sons, como “ééééé´”…). As disfluências comuns se caracterizam, como já se disse aqui, por repetições de palavras inteiras, partes de frases ou frases inteiras, e também por revisões de palavras (correções que o indivíduo faz durante seu discurso, ao notar que emitiu algo incorreto: “Ela sempre vem/vai na casa da mãe”). As crianças com disfluência comum podem falar algumas palavras pela metade e também fazer pausas, que podem ser silenciosas ou preenchidas.
5) Caráter voluntário ou involuntário: a gagueira do desenvolvimento é completamente involuntária, ou seja, não depende da vontade da criança gaguejar ou não gaguejar. Na disfluência comum na infância, pode haver um certo grau de deliberação e controle.
6) Comportamento do corpo: Observa-se que as crianças que gaguejam podem apresentar tensão no rosto e/ou no corpo, e alguns movimentos corporais associados aos momentos em que gagueja. Esses movimentos tendem a se intensificar com a evolução da gagueira. Na disfluência comum na infância não se observa tensão ou movimento corporal associado.
7) Desempenho linguístico: Nas crianças que gaguejam pode-se observar alguns problemas relacionados ao desempenho da linguagem: em testes de avaliação e correção de frases mal formadas, obteve-se para as crianças que gaguejam um desempenho inferior ao das que não apresentam gagueira; resultado semelhante se obteve em testes de recuperação de fonemas em não-palavras (sequências de fonemas que não correspondem a palavras da língua), para verificiar a habilidade em recordar-se de fonemas. Essa característica, segundo os estudiosos, representa não uma deficiência linguística, mas sim um problema que há entre a ativação do fonema no cérebro e a sua produção na fala. As pesquisas em linguagem comprovam que a gagueira não é um problema originado no aparelho fonador, muito embora suas manifestações o atinjam.
8) Outras manifestações: As crianças que gaguejam costumam ser impacientes com sua dificuldade de falar, têm dificuldade em manter contato visual com as pessoas com quem conversam, e não raro desistem de falar. Nota-se também que a gagueira pode ser acompanhada de falta de coordenação entre a fala e a respiração, diferentemente da disfluência comum, que mesmo quando acontece vem acompanhada de respiração normal e regular.
Além de enumerar aspectos importantes na distinção entre a disfluência comum na infância e as fases iniciais da gagueira do desenvolvimento, as autoras apresentam em seu trabalho os fatores que podem causar confusão no processo de diagnóstico da gagueira, de um lado, e na detecção da disfluência comum na infância, de outro. São eles:
1) Ao contrário da gagueira infantil, as disfluências comuns na infância em geral são esporádicas, e a fluência tende a aumentar com o passar do tempo.  Já as crianças que gaguejam podem apresentar períodos de fala fluente – é a chamada remissão parcial, que pode dar a entender aos pais que a criança superou definitivamente essa fase (já vimos que isso acontece porque a gagueira é intermitente.) No entanto, após a remissão, os eventos de gagueira podem voltar ainda mais evidentes e persistentes. Nos casos de gagueira infantil, temos ainda, com frequência, a possibilidade de recuperação espontânea.
2) Tanto a gagueira quanto a disfluência comum na infância acontecem em semelhantes faixas etárias. O início do processo de gagueira coincide com o ápice dos comportamentos relacionados à disfluência comum.
3) As repetições, prolongamentos e bloqueios da gagueira podem facilmente ser interpretadas como uma incerteza da criança sobre qual palavra usar no dado momento – um traço da disfluência comum ao processo de aprendizado da linguagem, que está ligada muitas vezes ao preparo da criança para o que vai dizer. Observe-se que mesmo assim os comportamentos não são os mesmos, já que na disfluência comum a criança hesita e repete palavras inteiras, o que não é o caso da fala gaguejada, que se caracteriza por repetições de fonemas e sílabas, na maioria das ocorrências.
4) Estudos mostram que existem problemas de produção de linguagem em todas as crianças que estão aprendendo a falar. Essas semelhanças podem mascarar o surgimento da gagueira do desenvolvimento, e permitir que ela seja interpretada como uma dificuldade natural da criança no trato com a língua que ela está adquirindo.
Na avaliação fonoaudiológica da criança que apresenta problemas de fluência, a fim de definir se eles são de fato indicativos de gagueira do desenvolvimento, é importante prestar atenção a todos os aspectos citados acima. E aos pais da criança que tem dificuldades na sua fluência, é essencial que busquem um profissional o quanto antes, de preferência no momento em que eles notarem que a criança fala com dificuldade, a fim de que se faça o diagnóstico de um problema ou de outro, e que haja tempo para que a criança possa ser devidamente tratada, conforme for a sua condição. O fonoaudiólogo especializado saberá qual conduta assumir, tanto para os casos de disfluência comum da infância, quanto para os casos de gagueira.
Texto Original: MERÇON, S. A. A., NEMR, K. Gagueira e disfluência comum na infância: análise das manifestações clínicas nos seus aspectos quantitativos e qualitativos. Revista do CEFAC, São Paulo, vol. 09, no. 02, 174-179, abr-jun 2007.



Posted by lucianafariasfono